toda função é fática
dezembro 24, 2007
Profecia nº 52
Como o verme que retorna a morte ao florescer
e recicla as nações do escombro de nações
o sol incha e espuma, ao relento do espaço,
ondas de lava e chama; um traiçoeiro abraço
em volta desse cadáver seco de planeta.
E depois que o dia cumprir seu contrato
E depois que Deus bater o ponto
E tanto que o suspense esvaziar
E quando tudo for adubo
sem nada o que adubar
E as constelações se apagarem sobre a terra
E a máquina desligar
E se o amor acabar sem meio-termo ou aviso de despejo
E se a sua mãe for fazer compras
E a poesia se explicar
(E depois, quem sabe, da bomba H… ?)
E quando a treva se espaira, sob um azul de lombriga,
E esfarelam montanhas como bolos sem liga;
E quando só TVs restarem em mansões vazias,
absurdas, dialogando sozinhas
sur nouvelle cuisine e política eleitoral
o sol, essa carrugem do demônio
içada por um casal siamês de negros dragões
e mecanismos de vulvas válvulas boreais,
sombrio cofre que nunca deslacra,
retoma seu cíclope galope de devastação.
Em um comentário não-relacionado, War e a Revolução
dezembro 23, 2007
Pense em um jogo: em um jogo de War. Existe uma série de regras que limitam a ação dos adversários e tornam o jogo competitivo, jogável – uma forma de protocolo. E tudo vai bem até que um dos participantes começa a encarar a derrota iminente
Nesse caso, ele possui três e não mais do que três alternativas. A primeira é resignar-se e esperar pela conquista implacável da América, da Oceania e de um terceiro continente a escolha dos algozes (comme il faut).
A segunda é trapacear sutilmente, subtraindo algumas peças do inimigo e adicionando outras ao exército aliado. War é um jogo especialmente bom para isso.
A última alternativa é chutar o tabuleiro para cima e espalhar marines por toda sala de jantar, de tal forma que, duas semanas depois, a faxineira ainda vai encontrar pecinhas coloridas dentro do lustre de cristal.
Como se vê nessa simples analogia, a revolução anarquista ainda é uma possibilidade ao alcance do indivíduo comum. O problema é que ela acaba com a graça do jogo em primeiro lugar, e em pouco tempo ninguém vai te chamar pra brincar nem de pique-esconde.
Outono de Vespas
dezembro 17, 2007
tomar pela mão o teu filho
-crustáceo;
tomar pela mão o catèter
preguiça de dashboard
novembro 13, 2007
por outro lado, me recuso a postar qualquer coisa sob este cabeçalho verde